Concurso de xícaras do Museu do Café tem curadoria de Hideko Honma

Concurso de xícaras do Museu do Café tem curadoria de Hideko Honma

27 de março de 2020 0 Por bloghideko

Atualizamos este post em 27 de abril, em função dos novos prazos do concurso! 

O Museu do Café, em Santos, traz uma oportunidade muito especial para ceramistas, artistas e designers de todo o Brasil: a instituição lançou o concurso “A Xícara do Museu”. A curadoria está a cargo de Hideko Honma, que participou da concepção e elaboração desse projeto.

O concurso está dividido em duas categorias, utilitário e conceitual, e as melhores xícaras, que deverão ser feitas manualmente em cerâmica, serão expostas no museu e poderão depois ser usadas e mesmo vendidas na loja da instituição. Já o primeiro lugar de cada categoria receberá como prêmio uma viagem ao Japão, para conhecer tradicionais centros produtores de cerâmica. O segundo lugar ganhará 5 mil reais em equipamentos de cerâmica. Bacana, não?

A seleção terá três etapas, e a inscrição para a primeira fase vai até 31 de maio (o prazo anterior era 20 de maio). Confira o edital no site do Museu.

O concurso foi lançado no dia 12 de março, como parte da comemoração do 21º aniversário do Museu. Naquele momento, os dias mais incertos da pandemia do coronavírus ainda não haviam chegado por aqui. Mas, mesmo depois que o fechamento do museu foi determinado, como forma de contribuir com os esforços de reduzir a disseminação do vírus, a instituição decidiu seguir em frente com o concurso. As inscrições, portanto, seguem abertas até o momento. Caso surja alguma novidade ou alteração, certamente isso será divulgado.

Uma xícara de muitas culturas

A ideia do concurso surgiu durante uma visita que Hideko fez ao Museu do Café, ainda em 2018, como parte de uma comitiva formada por representantes do Consulado Geral do Japão em São Paulo e da Fundação Japão. Na ocasião, a diretora do Museu, Alessandra Almeida, comentou com a ceramista que gostaria de ter xícaras boas, que pudessem ser vendidas na loja do museu ou usadas no café.

Antigo Salão do Pregão da Bolsa do Café

Faz todo sentido! O museu ocupa o prédio que abrigou, por décadas, a Bolsa Oficial do Café, e é dedicado a preservar e divulgar a memória do café e seu papel no desenvolvimento social e econômico do País.

Para melhor elaborar o concurso e ampliar o seu alcance, o grupo Cerâmica Contemporânea Brasileira (CCBras) foi convidado para participar do projeto.

Hideko Honma no Museu do Café, na comemoração do aniversário de 21 anos da instituição

No dia do lançamento do concurso, e como parte das atividades comemorativas do aniversário do Museu, foi realizada uma oficina de xícaras, em duas sessões, para 80 pessoas das mais diferentes idades, que experimentaram usar tornos e conheceram algumas técnicas de modelagem. A oficina foi ministrada por Hideko Honma e pelos ceramistas Kenjiro IkomaEliana Kanki e Fatima Rosa, do CCBras, e por Maria Angelica Dias, do atelier Morro do Bambu.

Kenjiro Ikoma (de camiseta preta), durante oficina de confecção de xícaras, no Museu do Café

Diferentes xícaras foram criadas pelos participantes da oficina

Com o concurso, ceramistas, artistas e designers poderão mostrar as diferentes técnicas de cerâmica que existem no País, muitas delas resultado de influência de diferentes culturas e escolas – bem a cara do Brasil.

É possível criar xícaras para participar do concurso, mesmo em tempos de confinamento?

Para Hideko, a resposta é sim. Embora a situação atual esteja longe de ser confortável, a ceramista acredita que é possível encontrar maneiras de aproveitar o momento. Afinal, vivemos dias que despertam diferentes sentimentos e atitudes, como empatia, solidariedade, humildade. Mas também são de paciência, de uma percepção diferente do tempo, de focar para dentro e se concentrar.

“Para realizar um trabalho de cerâmica, você precisa de concentração, relembrar técnicas. É possível fazer algumas pesquisas pelo computador. É um trabalho muito seu, é você com você mesmo”, afirma. “Pode ser uma oportunidade, daquelas que surgem em meio a uma crise.”