Mais sobre o livro de Hideko Honma, pela própria ceramista

Mais sobre o livro de Hideko Honma, pela própria ceramista

29 de agosto de 2018 0 Por bloghideko

Nos próximos parágrafos, Hideko compartilha um pouco de suas reflexões sobre os motivos que a levaram a publicar seu primeiro livro, Hideko Honma. Suas palavras nos dão a oportunidade de vislumbrar o profundo respeito e admiração que ela sente por seu pai, e revelam como isso se conecta com o universo que envolve suas criações.

A ceramista, durante o lançamento do livro na Japan House. Foto: Rafael Salvador

Uma manhã meu pai acordou e nos reuniu para nos contar um sonho e uma decisão: sonhou que as suas duas irmãs mais velhas, que haviam sido dadas como desaparecidas em um bombardeio na embaixada da Manchúria durante a Segunda Guerra Mundial, estavam vivas, saudáveis e com muitas saudades dele. A decisão dele era ir ao Japão para reencontrá-las, após mais de 50 anos sem contato algum. Muitos detalhes surgidos a partir daquela viagem explicam por que ganhei a profissão de ceramista.

Em um lindo dia iluminado, meu pai ficou invisível.

E a minha tristeza ficou insuportável.

Até aquele dia, sempre que conversava com os meus filhos e com os meus alunos sobre ética, disciplina, qualidade e respeito, eu orbitava tranquilamente nas palavras que eu ouvira do meu pai.

E agora? Como continuar com segurança, sem ouvi-lo? Como transmitir esse profundo legado de ensinamentos e experiências aos meus filhos, netos e alunos? Como, sem o olhar dele, contar a história de como fiz um montinho de terra transformar-se em um chawan honesto (segundo as palavras dele mesmo)?

Com mais de 60 anos de idade, lancei meu primeiro livro e sinto-me como se tivesse ganhado a minha maioridade tardia, assinada por ele: Masatoshi Setani, meu pai. Nele, conto partes da minha profissão de ceramista e professora. Também falo dos projetos ao lado de chefs de cozinha, que, antes mesmo de serem clientes, são amigos queridos.

Lançar o primeiro livro é como centralizar o barro para fazer o primeiro chawan bem feito, no seu tempo. Porque o tempo passa inexoravelmente, não admite rasuras e assim nos dá a oportunidade de criar o único.

Bonita essa história, não?

Que saber mais sobre como é o livro? Leia aqui .

A obra está à venda em São Paulo, no ateliê da Hideko (Av. Jacutinga, 434, Moema), na Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa – Bunkyo (rua São Joaquim, 381, Liberdade) e na Aliança Cultural Brasil-Japão (em duas unidades: na rua Vergueiro, 727, 5o andar, Liberdade – tel. 11 3209-6630; e na rua Deputado Lacerda Franco, 328, Pinheiros – tel. 11 3031-5550).