Mitsue Yuba fala de suas experimentações com chawan

Mitsue Yuba fala de suas experimentações com chawan

21 de novembro de 2018 0 Por bloghideko

SFoi com muita simpatia e um jeito autêntico de ser que Mitsue Yuba falou sobre sua relação com a cerâmica e suas chawans, em mais uma palestra do Chawan Project, realizada na manhã de 16 de novembro, na Japan House, em São Paulo.

Mitsue Yuba, na palestra do Chawan Project, na Japan House de São Paulo. Foto: Nikko Fotografia

Mitsue nasceu e cresceu em Yuba, uma comunidade agrícola localizada a 600 km da capital paulista, onde prevalece um forte espírito comunitário, em que tudo é de todos, todos zelam por tudo e todos zelam por todos. Além do trabalho com a terra, de onde tiram seu sustento, os moradores de Yuba também são conhecidos pela dedicação às artes, como dança, pintura, escultura. E, no caso de Mitsue, também à cerâmica.

Ela foi a sexta palestrante do Chawan Project, que tem a curadoria de Hideko Honma, o patrocínio da Portobello e o apoio da Japan House e da Fundação Japão. Desde junho, um ceramista é convidado a cada mês para contar como é fazer uma boa chawan. As histórias viram verdadeiras aulas sobre estudo, paciência e técnicas em torno da cerâmica.

 

Tigelas feitas por Mitsue. Fotos: Nikko Fotografia

Num clima de bate-papo, Mitsue mostrou que sua relação com a cerâmica – e com a chawan – é de muitas experimentações. Quando criança, gostava de fazer tigelas com os barros de diferentes cores que encontrava no açude, e as colocava para secar ao sol. Mas não entendia por que elas se dissolviam quando chovia.

Um dia, o avô lhe contou que se aquele barro passasse por um processo de queima, viraria uma chawan de verdade. Mitsue passou a ler sobre o assunto nos livros do avô. Também estudou cerâmica em Kyushu, no Japão, e depois, de volta ao Brasil, com a ceramista Shoko Suzuki.

A ceramista falou sobre argila e cores de suas peças. Foto: Nikko Fotografia

Foi o irmão de Mitsue quem construiu os tornos e fornos (em estilo Noborigama) que ela usa. Na base de tentativas e erros, a ceramista percebeu que o eucalipto era melhor do que a aroeira para a queima, assim como entendeu como fazer o esmalte e os desenhos que gosta de aplicar em suas peças.

Participação especial

A palestra também contou com a participação de Madoka Hayashi, vice-presidente do Centro de Chado Urasenke do Brasil e vice-presidente do Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa. Segundo Mitsue, a professora Hayashi mostrou muitas chawans para ela, na época em que ela havia começado a estudar cerâmica.

Madoka Hayashi, da Fundação Urasenke, falou um pouco sobre o que é uma boa chawan. Foto: Nikko Fotografia

A professora Hayashi disse que, ao se tomar chá na chawan, o importante é que líquido chegue à boca de forma macia, suave. “Não há regra sobre tamanho, forma ou peso de uma chawan, mas é preciso haver uma sensibilidade, por parte de quem faz cerimônia do chá, de perceber se a peça está pesada ou leve ao usá-la. Assim ele escolhe sua chawan, e uma boa chawan pode durar décadas”, explicou.

Hideko Honma, ao lado de Mitsue Yuba, fala sobre o universo da chawan. Foto: Nikko Fotografia

Ao final, Hideko Honma fez uma breve análise das palestras. “Durante o Chawan Project, percebemos que alguns ceramistas usam regras bem específicas, buscam a tradição, pegam sua própria experiência e fazem o que consideram melhor para seu trabalho e obras. E há aqueles que trabalham de forma mais livre. Existem contradições, e assim é o mundo da chawan”.

Uma das tigelas feitas pela ceramista da Comunidade Yuba. Foto: Nikko Fotografia

Mitsue conversa com as pessoas que vieram ouvir sua palestra na Japan House. Foto: Nikko Fotografia

O público olha de perto as belas peças trazidas por Mitsue Yuba. Foto: Nikko Fotografia

O próximo dia de Chawan Project será em 15 de dezembro, com uma mesa-redonda muito especial, formada por especialistas de diferentes áreas, como design e gastronomia. Será o último evento desse ciclo de debates, e acontecerá na Japan House, que fica na Avenida Paulista, 52, próximo à estação Brigadeiro do Metrô. As senhas serão distribuídas uma hora antes do início. Não percam!

Acompanhem as novidades no Facebook @chawanproject.

Aqui no blog você também pode ver como foram as palestras de Souichi Hayashi, Kenjiro Ikoma, Akinori Nakatani, Kimi Nii e Shugo Izumi.

Leia também | Crianças participam de oficina de cerâmica no atelier